AVC também atinge jovens e pode deixar sequelas permanentes
Neurologista alerta para sintomas pouco conhecidos, fatores de risco e a importância do atendimento imediato
O acidente vascular cerebral (AVC)
provocou 89.490 mortes no Brasil em 2025, segundo dados do Registro Civil
divulgados pela Sociedade Brasileira de AVC (SBAVC). Além do risco à vida, a
doença pode deixar sequelas permanentes, principalmente quando os primeiros
sintomas não são reconhecidos.
Em referência ao Dia Mundial, celebrado
em 29 de outubro, a campanha da Organização Mundial de AVC (WSO) promove a
mobilização #AjaRápido, incentivando a população a reconhecer os sinais de
alerta e procurar atendimento imediato.
Para o neurologista do Hospital São
Mateus, Raphael Diniz Ridolfi, a rapidez na assistência é determinante para
preservar o tecido cerebral. Estima-se que, a cada minuto sem circulação
adequada durante um quadro isquêmico, cerca de 1,9 milhão de neurônios possam
ser perdidos.
“Quando uma artéria é obstruída, parte do
cérebro deixa de receber oxigênio. Quanto maior a demora para restabelecer o
fluxo sanguíneo, maiores são os riscos de lesões irreversíveis. Por isso,
utilizamos a expressão ‘tempo é cérebro’”, esclarece.
Entre os tratamentos disponíveis estão a
trombólise intravenosa, geralmente indicada até quatro horas e meia após o
início dos sintomas, e a trombectomia mecânica, que pode beneficiar pacientes
selecionados em até 24 horas, conforme avaliação médica e exames de imagem.
Além da boca torta, perda de força e
dificuldade para falar, manifestações como visão dupla, tontura intensa,
desequilíbrio, confusão mental repentina e dor de cabeça súbita também podem
indicar uma emergência neurológica.
“Uma tontura acompanhada de desequilíbrio
pode ser confundida com labirintite, especialmente quando a alteração ocorre na
região posterior do cérebro. O principal sinal de alerta é o início súbito dos
sintomas. Qualquer mudança neurológica repentina precisa ser investigada
imediatamente”, orienta.
Risco também atinge pessoas mais jovens
Embora seja mais frequente em idosos, a
condição também acomete adultos jovens. Hipertensão, diabetes, obesidade e
tabagismo estão entre os fatores associados, enquanto o uso de cigarros
eletrônicos, drogas ilícitas e anabolizantes também merece atenção.
Outras condições, como apneia do sono,
estresse prolongado e jornadas de trabalho extenuantes, podem contribuir para o
risco cardiovascular e cerebrovascular.
“O impacto entre os jovens é
significativo, porque a doença pode interromper a fase produtiva da vida e
deixar limitações duradouras. Muitos fatores de risco passam despercebidos ou
não recebem acompanhamento adequado, o que torna a prevenção ainda mais necessária”,
afirma.
Segundo a Organização Mundial de AVC,
cerca de 90% dos episódios estão associados a fatores de risco modificáveis. A
hipertensão arterial está entre os principais, assim como fibrilação atrial,
diabetes, colesterol elevado e tabagismo.
Controlar a pressão, praticar atividades
físicas, manter uma alimentação equilibrada, evitar o cigarro e o consumo
excessivo de álcool, além de realizar avaliações médicas periódicas, são
medidas que ajudam a reduzir os riscos.
“A prevenção começa com o conhecimento dos próprios
fatores de risco. Medir regularmente a pressão arterial, manter hábitos
saudáveis e tratar corretamente doenças crônicas são atitudes que podem
evitar consequências graves e preservar a qualidade de vida”, conclui , Raphael
Diniz Ridolfi.






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