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Peixoto de Azevedo,05/11/2026

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TCE exonera 16 servidores alvos da PF por esquema milionário

Levantamento policial identificou R$ 75,8 milhões em movimentações financeiras consideradas suspeitas


TCE exonera 16 servidores alvos da PF por esquema milionário

O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCEMT), Waldir Júlio Teis, determinou a exoneração de
servidores da Corte que foram alvos da operação Tomada
de Contas, deflagrada pela Polícia Federal na última quintafeira (29).

A investigação apura um suposto esquema de
desvio de dinheiro público, com saques milionários em
espécie e participação de pessoas ligadas à estrutura
administrativa do órgão.
As exonerações foram publicadas no Diário Oficial de
Contas desta terça-feira (3).

Ao todo, os atos assinados por
Teis atingem 16 servidores que ocupavam cargos comissionados, incluindo integrantes de gabinetes de
conselheiros, secretarias executivas e setores estratégicos da administração do Tribunal.

Entre os exonerados estão Roseli Loss, que era chefe de gabinete do conselheiro Sérgio Ricardo, e Adriangelo
Barros Antunes, que ocupava o cargo de secretário-executivo da Comissão Permanente de Meio Ambiente e
Sustentabilidade. Os dois foram presos preventivamente durante a operação.


A decisão de afastamento de Sérgio Ricardo da Presidência do TCE-MT foi determinada pelo ministro Og
Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que também determinou sua prisão, bem como as medidas de
busca e apreensão contra os demais investigados.

A decisão do ministro Og Fernandes detalha a função atribuída a cada investigado e os valores que teriam
recebido por meio de pagamentos realizados pelo Tribunal. Segundo a investigação, os repasses eram feitos por
ordens bancárias, inclusive, fora do calendário normal da folha salarial. Parte do dinheiro teria circulado por meio
de empresas contratadas pela Corte de Contas.

agência bancária do Sicoob, nas dependêncais do TCE, com uma mochila vazia e saindo com o objeto
aparentemente cheio. O ministro também destacou que Adriangelo teria recolhido parte do dinheiro sacado por
Roseli Loss.
Já Roseli, que ocupava a chefia de gabinete de Sérgio
Ricardo, aparece na investigação como uma das principais
responsáveis pelas retiradas de dinheiro. Segundo a
decisão, ela realizou saques que somaram R$ 3,5 milhões.
Em seis ocasiões, os valores teriam sido entregues a
Adriangelo.

A investigada também se tornou procuradora
bancária de Sérgio Ricardo em outubro de 2025 e já
movimentava contas ligadas a ele desde 2024.
Eneias Viegas da Silva, então secretário-executivo de
Gestão de Pessoas. Ele teria recebido R$ 2,8 milhões, em
pagamentos mensais próximos de R$ 300 mil, a maioria pelo canal de fornecedores.
Edson Luiz Ribeiro de Oliveira, que coordenava o Núcleo de Execução Orçamentária e Contábil, teria sido
destinatário de R$ 2,1 milhões.

Conforme a decisão, ele recebia parcelas de R$ 41,6 mil e R$ 62,4 mil, por meio de
ordens avulsas realizadas três vezes por mês. Também foram identificados pagamentos de R$ 1,5 milhão a Adjair
Roque de Arruda, então secretário-executivo de Planejamento, sendo R$ 1,46 milhão fora do calendário da folha.
Carlos Alexandre Pereira, que ocupava a Secretaria do Sistema de Controle Interno, teria recebido R$ 958,7 mil.
Para o Ministério Público Federal (MPF), a situação chamou atenção porque ele estava justamente no setor
responsável por fiscalizar a regularidade das despesas do Tribunal que passaram a ser investigadas.
Carlos Felipe Oliveira Almeida, então assessor técnico-financeiro, aparece como destinatário de R$ 673,5 mil,
distribuídos em 35 lançamentos bancários.

Já Carlos Romeu Rodrigues de Medeiros, que atuava como consultor
técnico-jurídico, teria recebido R$ 2,3 milhões, em parcelas mensais de aproximadamente R$ 220 mil.
A relação de pagamentos também inclui Jocimauro Bento do Carmo, que teria recebido R$ 3 milhões. Segundo a
decisão, R$ 1,8 milhão desse montante foi pago por meio de 32 ordens bancárias avulsas.
Vitor Turri Romano, que ocupava a chefia de gabinete de uma comissão permanente, também aparece na
investigação. Ele teria recebido R$ 1 milhão e, a partir de setembro de 2025, passou a receber parcelas de
aproximadamente R$ 120 mil nos mesmos lotes de ordens bancárias destinados ao sogro, o conselheiro José
Carlos Novelli.


COMO FUNCIONARIA O ESQUEMA


A investigação da Polícia Federal aponta que o suposto esquema começava com a utilização do poder da
Presidência do TCE-MT sobre os contratos administrativos. A suspeita é de que empresas fornecedoras fossem
favorecidas com a manutenção ou retomada de pagamentos e, em contrapartida, parte dos valores recebidos
retornasse a pessoas ligadas à estrutura do Tribunal.

A apuração identificou que, em agosto de 2024, uma portaria
determinou a suspensão temporária de contratos administrativos da Corte, sob justificativa de contenção de
despesas. Entretanto, segundo a PF, algumas empresas continuaram recebendo pagamentos e outras chegaram a
registrar aumentos expressivos nos valores repassados.


O levantamento policial identificou R$ 75,8 milhões em movimentações financeiras consideradas suspeitas em
apenas 294 dias, entre janeiro e outubro de 2025. Para o ministro Og Fernandes, os seis investigados presos
preventivamente não teriam participação apenas como beneficiários dos pagamentos, mas integrariam o núcleo
operacional responsável por diferentes etapas da movimentação dos recursos.

Na decisão, o magistrado destacou
que a estrutura investigada apresentava divisão de tarefas e capacidade de adaptação para dificultar a fiscalização.
Por isso, considerou insuficientes as medidas alternativas à prisão para Sérgio Ricardo, Roseli Loss, Adriangelo
Barros Antunes e outros três investigados.

Os demais servidores atingidos pelas exonerações estavam entre aqueles que tiveram o afastamento cautelar das
funções públicas determinado pelo STJ, além da proibição de acessar as dependências do Tribunal, utilizar
sistemas institucionais e manter contato com outros investigados.

EXONERADOS

4. Roseli Loss realizou saques nas contas vinculadas a Sérgio Ricardo. Ela era chefe de gabinete do então
presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo.

5. Adjair Roque de Arruda era fiscal de tributos da Secretaria de Estado de Fazenda cedido ao TCE-MT, onde
ocupava o cargo de secretário executivo de Planejamento.

6. Carlos Alexandre Pereira era secretário do Sistema de Controle Interno do TCE-MT.

7. Carlos Romeu Rodrigues de Medeiros era consultor técnico-jurídico I no gabinete do conselheiro Alisson
Carvalho de Alencar.

8. Carlos Felipe Oliveira Almeida era assistente técnico-financeiro, vinculado à secretaria responsável pela
operacionalização dos pagamentos.


9. Edson Luiz Ribeiro de Oliveira era coordenador da Execução Orçamentária e Contábil do TCE-MT.

10. Eneias Viegas da Silva era técnico de Controle Público Externo e secretário executivo de Gestão de Pessoas.

11. Jocimauro Bento do Carmo era consultor técnico-jurídico da Comissão Permanente.

12. Maurício Marques Júnior era secretário Executivo de Orçamento, Finanças e Contabilidade.

13. Márcio Antônio Silvério era assessor técnico-jurídico.

14. Olavo Lage Filho era secretário Executivo da Comissão Permanente de Infraestrutura, Tecnologia e
Privatização.

15. Vitor Turri Romano era Chefe de gabinete da Comissão Permanente de Infraestrutura, Tecnologia e
Privatização.

16. Felipe José Glinke, assessor Jurídico da Presidência




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