Conselheiros do TCE são suspeitos de receber R$ 48 milhões em "folha paralela"
Somente o presidente Sérgio Ricardo teria recebido R$ 15,4 milhões
A quebra de sigilo bancário dos conselheiros investigados na
Operação Tomada de Contas identificou R$ 48,4 milhões em
créditos bancários no período analisado, enquanto o Portal
da Transparência do Tribunal de Contas de Mato Grosso
(TCE-MT) divulgou apenas R$ 2,2 milhões em pagamentos
ao grupo. A diferença foi destacada na decisão do Superior
Tribunal de Justiça (STJ) que autorizou prisões preventivas
e medidas cautelares contra os investigados.
Conforme o levantamento citado pelo ministro Og
Fernandes, os dados bancários apontaram R$ 48,4 milhões em créditos efetivos para os conselheiros, enquanto os
registros oficiais de transparência somavam R$ 2,2 milhões. A decisão individualiza a situação dos investigados e
cruza informações públicas com dados financeiros obtidos durante a apuração.
O caso que mais chama atenção é o do presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo de Almeida. Segundo a decisão, ele
recebeu R$ 15,4 milhões no período examinado, mas o Portal da Transparência registrava apenas R$ 288,5 mil.
Os investigadores também identificaram 150 saques em espécie, que totalizaram R$ 15,6 milhões, sendo R$ 15,4
milhões retirados diretamente no caixa da instituição financeira.
A decisão aponta que os valores foram
identificados por meio da análise de dados bancários, relatórios de inteligência financeira e registros de saques.
A investigação apura pagamentos considerados incompatíveis com a remuneração oficial divulgada, seguidos de
retiradas vultosas em dinheiro vivo e movimentações entre diferentes contas. Ele é apontado pela investigação
como responsável por comandar o esquema, incluindo a gestão da suspensão e da retomada de contratos
administrativos e teve a prisão preventiva decretada.
A investigação identificou R$ 10,6 milhões em créditos em suas contas, dos quais R$ 9,7 milhões foram
transferidos por meio de 64 ordens bancárias avulsas. Ele também ficou impedido de vender bens avaliados em
mais de R$ 50 mil ou promover alterações societárias.
O conselheiro José Carlos Novelli teve o exercício do cargo suspenso e está proibido de acessar as dependências
do TCE-MT ou manter contato com os demais investigados.
Os registros financeiros apontaram créditos de R$ 8,8
milhões, sendo R$ 7,3 milhões pagos em 78 ordens bancárias avulsas. Conforme a apuração, familiares também
foram incluídos nos mesmos lotes de pagamentos.
Alisson Carvalho de Alencar, que era procurador de Contas até 22 de dezembro de 2025, assumiu como
conselheiro no dia seguinte. Ele foi afastado da função pública e teve o passaporte recolhido.
A investigação identificou R$ 8,1 milhões em pagamentos, incluindo parcelas mensais de R$ 150 mil realizadas por
meio de canais destinados a fornecedores. Por fim, o conselheiro aposentado Valter Albano da Silva continuava à
frente de uma comissão permanente do Tribunal.
A decisão suspendeu qualquer atividade dele, remunerada ou não, vinculada ao TCE-MT. Os dados bancários
apontaram R$ 6,6 milhões em créditos, dos quais R$ 4,9 milhões foram transferidos por meio de 55 ordens
bancárias avulsas.






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