Greve dos Correios não tem previsão de encerramento
Paralisação nacional segue por tempo indeterminado
A greve dos trabalhadores dos Correios continua nesta
segunda-feira (14), por tempo indeterminado e sem previsão
de encerramento, segundo a Federação dos Trabalhadores
e Trabalhadoras dos Correios (FINDECT).
A paralisação começou na sexta-feira (11), após
trabalhadores rejeitarem, em assembleias, uma proposta
apresentada pela empresa nas negociações do Acordo
Coletivo de Trabalho (ACT).
Entre as reivindicações da categoria estão avanços nas negociações, preservação de direitos e garantias
relacionadas ao plano de saúde de empregados, aposentados e dependentes.
Segundo a FINDECT, um dos principais impasses nas negociações é o plano de saúde dos funcionários. A
entidade afirma que a direção dos Correios pretende fazer alterações no benefício.
"A decisão das assembleias ocorre depois de sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação no
Tribunal Superior do Trabalho (TST).
A categoria buscou uma solução negociada, mas a empresa manteve sua
posição em um tema considerado fundamental pelos trabalhadores", diz a federação.
Em nota enviada ao g1, os Correios informaram que acionaram o "Plano de Continuidade de Negócios" para
reduzir os impactos da paralisação e manter os serviços em todo o país.
A empresa não informou, porém, se haverá alteração nos prazos de entrega ou quais regiões poderão ser mais
afetadas pela paralisação. Segundo a estatal, a rede de agências permanece aberta ao público. (leia a íntegra ao
final da reportagem)
Para situações específicas, os clientes podem entrar em contato com os Correios pelos telefones 4003-8210 e
0800-881-8210 ou utilizar os canais digitais de atendimento da empresa.
TST determina manutenção de 80% do efetivo
No sábado (12), o TST determinou, em decisão liminar, a manutenção de 80% do efetivo em atividade em cada
unidade ou estabelecimento da empresa durante a paralisação.
A medida abrange trabalhadores das unidades de atendimento, tratamento, transporte, distribuição e áreas
administrativas ou de suporte indispensáveis à continuidade da cadeia postal.
O julgamento do dissídio coletivo está marcado para 21 de setembro, às 13h30, na Seção Especializada em
Dissídios Coletivos (SDC). Ainda é possível que as partes cheguem a um acordo antes do julgamento.
Até que haja uma solução para o impasse, a FINDECT orienta os sindicatos filiados a manterem a greve e a
continuidade das mobilizações.
A federação afirma que permanece aberta ao diálogo e defende a construção de
uma proposta que possa ser submetida à avaliação dos trabalhadores.
Regiões que aderiram à greve
Segundo a FINDECT, as seguintes entidades aprovaram a paralisação:
SINTECT-AC (Acre) — assembleia prevista para hoje
SINTECT-AL (Alagoas)
SINTECT-AM (Amazonas)
SINTECT-AP (Amapá)
SINTECT-BA (Bahia)
SINTECT-CAS (Campinas)
SINTECT-CE (Ceará)
SINTECT-DF (Distrito Federal)
SINTECT-ES (Espírito Santo)
SINTECT-GO (Goiás)
SINTECT-JFA (Juiz de Fora)
SINTECT-MG (Minas Gerais)
SINTECT-MT (Mato Grosso)
SINTECT-RO (Rondônia)
SINCORT-PA (Pará)
SINTECT-PB (Paraíba)
SINTECT-PE (Pernambuco)
SINTECT-PI (Piauí)
SINTCOM-PR (Paraná)
SINTECT-RN (Rio Grande do Norte)
SINTECT-RR (Roraima)
SINTECT-RPO (Ribeirão Preto)
SINTECT-RS (Rio Grande do Sul)
SINTECT-SC (Santa Catarina)
SINTECT-SE (Sergipe)
SINTECT-SJO (São José do Rio Preto)
SINTECT-SMA (Santa Maria)
SINTECT-TO (Tocantins)
SINTECT-URA (Uberaba)
SINTECT-MA (Maranhão)
SINTECT-MS (Mato Grosso do Sul)
SINTECT-RJ (Rio de Janeiro)
SINTECT-Santos (Santos e região)
SINTECT-SP (São Paulo)
Crise financeira
Os Correios estão há 15 trimestres consecutivos no vermelho. No primeiro semestre deste ano, a empresa
registrou prejuízo de R$ 5,6 bilhões.
O prejuízo do segundo trimestre, no entanto, foi menor que o registrado nos dois trimestres anteriores: o primeiro
trimestre de 2026 e o quarto trimestre de 2025. A empresa havia registrado prejuízo recorde no primeiro trimestre
deste ano.
Os Correios esperam receber um novo empréstimo até 15 de setembro. Foi apurado pela imorensa que a nova injeção de
recursos deve vir de um consórcio formado por bancos, como ocorreu no fim do ano passado, quando a empresa
recebeu R$ 12 bilhões. Desta vez, o grupo deve envolver três instituições financeiras estrangeiras — Citibank, J.P.
Morgan e Deutsche Bank — e o Banrisul.
O novo empréstimo, de R$ 7 bilhões, já havia sido confirmado pelos Correios nas demonstrações financeiras do
primeiro semestre deste ano, divulgadas no fim de agosto.
O que dizem os Correios
"Os Correios acionaram seu Plano de Continuidade de Negócios para manter os serviços em todo o país e reduzir
eventuais impactos da paralisação anunciada pelas entidades sindicais no último dia 10.
Entre as medidas adotadas estão a mobilização de empregados administrativos para apoio às atividades
operacionais, o remanejamento de veículos e a realização de mutirões para preservar o fluxo logístico. Vale
destacar que a rede de agências permanece aberta ao público.
A estatal ajuizou, na sexta-feira (11), pedido de dissídio coletivo junto ao Tribunal Superior do Trabalho (TST).
A
medida foi tomada após o encerramento da mediação sem acordo e a rejeição, nas assembleias sindicais, da
proposta para o ACT 2026/2028. As assembleias também aprovaram a greve.
No sábado (12), o tribunal determinou, em decisão liminar, a manutenção de 80% do efetivo em atividade, em cada
unidade ou estabelecimento da empresa, abrangendo as unidades de atendimento, tratamento, transporte,
distribuição e administrativas ou de suporte indispensáveis à continuidade da cadeia postal, durante a paralisação.
O julgamento do dissídio coletivo está marcado para o dia 21 de setembro, às 13h30. Ainda é possível haver
acordo entre as partes no curso do processo, antes do julgamento.
A estatal reafirma o respeito ao direito de greve dos trabalhadores, porém, ressalta que a paralisação ocorre em um
momento especialmente sensível.
A empresa segue diante de uma situação econômico-financeira desafiadora e mantém o foco na redução de
despesas, no aumento da eficiência, na modernização da operação e na geração de novas receitas.
Para situações específicas, os clientes podem entrar em contato pelos telefones 4003-8210 e 0800-881-8210 ou
utilizar os canais digitais de atendimento da empresa".





COMENTÁRIOS