Prefeito gasta R$ 7,5 milhões em usina solar que não pode operar por limitação da rede elétrica
Um dos maiores exemplos de desperdício de recursos públicos do município.
Obra de energia solar contratada por mais de R$ 10 milhões pela Prefeitura de Alta Floresta virou alvo de questionamentos na Câmara Municipal após vereadores apontarem que cerca de R$ 7,5 milhões já foram pagos, mas o sistema ainda não entrou em operação. Segundo os parlamentares, a situação impede que o município economize aproximadamente R$ 200 mil por mês na conta de energia elétrica.
A denúncia foi reforçada pelos vereadores Darlan Carvalho (PRD), Luciano Silva (PL) e Dida (Cidadania), que realizaram uma fiscalização no local onde estão armazenados os equipamentos adquiridos para a implantação da usina fotovoltaica. O grupo afirma já ter encaminhado representação ao Ministério Público e cobra esclarecimentos da Prefeitura sobre o atraso.
“Mais de R$ 7,5 milhões já foram pagos em uma obra de energia solar que ultrapassa os R$ 10 milhões e até agora a população não vê o sistema funcionando. Enquanto isso, o município deixa de economizar quase R$ 200 mil por mês com energia”, afirmou Darlan.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o vereador classificou o caso como um dos maiores exemplos de desperdício de recursos públicos do município.
“Talvez a gente esteja vendo agora o maior caso de desperdício de dinheiro público da história de Alta Floresta. A prefeitura assinou um contrato de R$ 10 milhões com uma empresa de Goiânia para instalar usinas de energia solar na nossa cidade. O objetivo era reduzir a conta de iluminação pública do município”, disse.
Segundo o parlamentar, o principal problema surgiu após a concessionária de energia apontar limitações na rede elétrica para receber a energia produzida pela usina.
“A Energisa respondeu que não tinha estrutura para receber essa energia. E olha o que diz o relatório oficial: não existem obras estruturantes que solucionem esses problemas. Ou seja, não tem previsão de quando a rede vai aguentar”, declarou.
Darlan afirma que, mesmo após o parecer técnico da concessionária, a administração municipal autorizou novos pagamentos à empresa responsável pela obra.
“A Energisa deu esse parecer no dia 22 de outubro e, no dia 19 de novembro, a prefeitura liberou mais R$ 5 milhões sabendo que a usina não ia funcionar. O resultado foi que o município pagou 75% desse contrato e até agora nem um watt de energia foi gerado”, criticou.
Durante a fiscalização, os vereadores encontraram mais de 1,5 mil placas solares armazenadas na Secretaria de Infraestrutura. Segundo eles, os equipamentos estão no local desde setembro do ano passado.
“Aqui são mais de R$ 7 milhões parados. São mais de 1.500 placas que estão aqui desde setembro do ano passado e até agora não geraram nada de energia”, afirmou o parlamentar.
Os vereadores também demonstraram preocupação com as condições de armazenamento dos materiais. Conforme relataram, parte das embalagens estava aberta e o local não possuía estrutura adequada de segurança.
“O que nos preocupa é que aqui não tem segurança, não tem câmeras, o muro está aberto. Já vemos fio cortado, caixas abertas. São materiais caríssimos e que poderiam estar gerando economia para o município”, disse Darlan.
Outra crítica apresentada pelo vereador diz respeito à possível necessidade de alterações no projeto original. Segundo ele, a proposta inicial previa a instalação das placas em solo, mas a falta de capacidade da rede elétrica pode exigir uma nova solução técnica.
“Agora querem colocar essas placas no teto. O problema é que são modalidades totalmente diferentes e a obra pode ficar ainda mais cara. Isso tudo por falta de planejamento”, afirmou.
O parlamentar também relatou um desentendimento com o prefeito Chico Gamba (União) durante uma reunião convocada para discutir a situação da usina fotovoltaica.
“Fomos convidados pelo presidente da Câmara para participar de uma fiscalização e buscar esclarecimentos sobre uma obra de R$ 10 milhões. Chegando lá, o prefeito saiu fora do tom e nos chamou de invasores, sendo que é uma responsabilidade do vereador fiscalizar”, declarou.





COMENTÁRIOS