MP investiga garimpo e desmate; PC e PF são acionadas em MT
Fazendeiro foi autuado e a atividade ilegal foi novamente embargada
MATUPÁ – A Promotoria de Justiça de Matupá instaurou, nesta sexta-feira (10), um inquérito civil para investigar a prática de garimpo ilegal e graves infrações ambientais em uma área estratégica: as margens da BR-163, na região da Ponte do Rio Peixoto. A ação ocorre após uma fiscalização conjunta entre o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).
O Impacto Ambiental
O relatório técnico da Sema revelou um cenário de degradação severa. No local, foi constatado o desmatamento por corte raso de 3,1925 hectares de vegetação nativa do Bioma Amazônia.
Extensão do dano: A área destruída equivale a aproximadamente três campos de futebol.
Irregularidade: A extração de ouro ocorria em desacordo com licenças ambientais e, em grande parte, sem qualquer autorização ou concessão válida.
Diante dos fatos, o infrator foi autuado e a atividade foi novamente embargada. O promotor de Justiça Cristiano Felipini destacou a gravidade da reincidência.
“Houve desmatamento significativo em área de preservação e a insistência na exploração ilegal de ouro, mesmo após embargo anterior. O Ministério Público vai adotar todas as medidas legais necessárias para responsabilizar os envolvidos e assegurar a recuperação do dano ambiental”, afirmou Felipini.
Desdobramentos Jurídicos
O Ministério Público já encaminhou cópias do procedimento para diferentes esferas de controle:
Polícia Civil: Para apuração de crimes ambientais.
Polícia Federal: Para investigar o possível comércio ilegal de ouro.
Agência Nacional de Mineração (ANM): Para medidas administrativas e cancelamento de eventuais títulos minerários.
Contradição e Indignação Local
A operação ocorre em meio a um clima de tensão e questionamentos por parte da comunidade local. O ponto central da polêmica reside no tratamento diferenciado dado a diferentes agentes do garimpo.
Recentemente, balsas de pequeno porte que tentavam operar na região foram retiradas e tiveram seus equipamentos queimados em operações da Sema, sob a justificativa de tolerância zero com crimes ambientais. No entanto, a área agora alvo de inquérito — visível a todos que passam pela rodovia — operava com uma estrutura robusta e, curiosamente, ostentava uma placa indicando autorização ambiental na entrada.
Moradores e trabalhadores do setor questionam por que atividades de menor impacto sofrem destruição imediata de maquinário, enquanto grandes áreas de desmatamento avançam "à luz do dia" em áreas supostamente licenciadas.
O que dizem as autoridades: O inquérito civil agora deve apurar se houve omissão de órgãos de controle ou se a placa de autorização era utilizada para "maquiar" uma operação que extrapolava os limites legais.






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