Consultoria prevê maior seca da história e calor de 45ºC em Cuiabá
O vento vai desidratar a vegetação rasteira, facilitando a propagação de fagulhas em pastagens
Mato Grosso se prepara para enfrentar um dos períodos
mais críticos de sua história climática. De acordo com o
Boletim de Risco de Fogo, elaborado pela consultoria GMG
Ambiental, os termômetros no Estado podem registrar
marcas extremas entre 44° e 45° no segundo semestre de
2026.
O cenário, descrito como uma rota de colisão com o fogo,
coloca em alerta máximo biomas fundamentais como a
Amazônia Legal, o Cerrado e o Pantanal. A análise técnica,
baseada em um monitoramento por geotecnologia indica que as condições projetadas para este ano podem
superar em gravidade os desastres ambientais registrados em 2020 e 2024.
A previsão é que o número de focos de calor apresente uma elevação entre 30% e 80% acima da média histórica.
Segundo Marcelo Romão, analista de Risco de Fogo, da GMG Ambiental, o mês de agosto marca o início da janela
de perigo.
“Os dias mais críticos neste mês serão de 12 a 26 de agosto, colocando em risco elevado de incêndios os
munícipios de Sinop, Sorriso, Alta Floresta, Nova Mutum e Querência.
O vento vai desidratar a vegetação rasteira,
facilitando a propagação de fagulhas em pastagens. No entanto será em setembro o ápice, sendo o período mais
grave de 2026, com potencial para quebrar recordes históricos de temperatura e focos de calor. O fogo terá
comportamento extremo, saltando aceiros e rodovias devido à velocidade dos ventos e baixa umidade”, alerta.
Três fatores principais convergem para criar o que especialistas chamam de "tempestade perfeita" para incêndios
florestais. O primeiro deles é a atuação do fenômeno Super El Niño em sua intensidade máxima, provocando a
chamada subsidência atmosférica sobre o Brasil Central. Esse fenômeno impede a entrada da umidade vinda da
Amazônia, resultando em calor extremo e derrubando a umidade relativa do ar para níveis abaixo de 12% patamar
considerado de emergência pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Prevenção e sinais de alerta Diante do cenário de severidade, a análise técnica reforça que a ação humana
preventiva e o emprego de tecnologia são fatores capazes de mitigar um desastre de proporções históricas. Entre
as medidas necessárias estão a manutenção de aceiros e a suspensão total de queimas para limpeza de
pastagens, antes do início do período crítico.
“Este deverá ser um dos trimestres mais ativos para o fogo em Mato Grosso nos últimos 20 anos. As condições
climáticas e meteorológicas estão apontando para esses extremos, porém o fogo depende da ação humana. Se
produtores e brigadas tiverem preparados aceiros largos, ter equipamentos prontos, treinados, esses incêndios
poderão ser mitigados.
Com a conscientização correta e antecipada da população, que em grande parte já sabe
que este ano teremos um grande El Niño, é possível que as quantidades de focos de queimadas fiquem dentro de
um padrão mais controlável. Caso essas precauções não sejam tomadas é bem provável que esses extremos se
confirmem”, alerta Romão.





COMENTÁRIOS