Seja bem-vindo
Peixoto de Azevedo,17/04/2026

  • A +
  • A -
Publicidade
Publicidade

Governo de MT expõe contradição sobre Fethab 2 e gera incerteza sobre futuro dos investimento

Mudança de discurso de Pivetta levanta dúvidas sobre coerência administrativa e sustentabilidade das obras no estado

Daniel Trindade
Governo de MT expõe contradição sobre Fethab 2 e gera incerteza sobre futuro dos investimento

A recente sinalização do governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, de encerrar o Fethab 2 a partir de 2027 reacendeu o debate sobre coerência administrativa dentro do próprio Palácio Paiaguás e ampliou as incertezas sobre o futuro dos investimentos públicos no estado.

Isso porque, ao longo dos últimos anos, a gestão comandada por Mauro Mendes e Pivetta defendeu o fundo como um dos principais mecanismos para financiar obras de infraestrutura, recuperação de rodovias e ações estratégicas para o desenvolvimento de Mato Grosso. O Fethab 2, criado como contribuição adicional, foi tratado como essencial para ampliar a arrecadação e garantir a execução de projetos estruturantes, especialmente em um estado altamente dependente da logística para sustentar o crescimento do agronegócio.

Agora, ao assumir o comando estadual após a saída de Mauro Mendes, Pivetta adota um discurso diferente ao anunciar o alívio tributário ao setor produtivo e o fim da contribuição adicional. A mudança não é apenas de estratégia econômica  ela evidencia uma inversão direta de posicionamento dentro da mesma gestão.

A contradição é evidente e levanta questionamentos inevitáveis: se o fundo era essencial para garantir investimentos até ontem, por que agora pode ser encerrado? E, se não era indispensável, por que foi mantido por tanto tempo como base relevante da arrecadação estadual? A ausência de uma resposta clara para essas perguntas reforça a percepção de desalinhamento dentro do próprio grupo político.

Além disso, o Fethab 2 teve papel relevante no reforço da receita pública em um período de forte expansão econômica, impulsionada principalmente pelo agronegócio. Sua possível extinção, sem a apresentação de um plano detalhado de compensação, amplia a incerteza sobre como o governo pretende manter o ritmo de investimentos, especialmente em infraestrutura logística, considerada vital para o estado.

A mudança de posicionamento também evidencia um desalinhamento político. O que antes era defendido como indispensável passa agora a ser tratado como dispensável, sem que haja, até o momento, explicação consistente ou alternativa concreta para substituir os recursos.

Além da contradição administrativa, chama atenção o direcionamento político e econômico adotado por Pivetta, que reforça um perfil voltado ao setor empresarial e aos grandes produtores rurais. A proposta de redução da carga tributária atende diretamente a esse segmento, mas amplia o debate sobre o equilíbrio entre incentivo econômico, responsabilidade fiscal e compromisso social.

Mato Grosso é um gigante do agronegócio e um dos motores econômicos do país, mas também convive com desigualdades profundas. Em muitas regiões, a população mais humilde enfrenta dificuldades diárias e depende da presença efetiva do Estado para ter acesso a serviços básicos como saúde, moradia, transporte e assistência social.

Nesse contexto, a retirada de uma fonte relevante de arrecadação sem clareza sobre substituição de recursos levanta preocupações sobre o impacto direto nas políticas públicas e na capacidade de investimento do Estado em áreas essenciais.

Ao se colocar como pré-candidato à reeleição, Pivetta passa a ser cobrado por apresentar mais do que medidas voltadas ao mercado. A demanda agora é por um plano claro, consistente e transparente que garanta a continuidade dos investimentos e responda às necessidades da população de forma mais ampla.

Caso contrário, cresce a percepção de continuidade de um modelo administrativo que privilegia setores já fortalecidos economicamente, enquanto o social permanece em segundo plano.

O debate sobre o Fethab 2, portanto, ultrapassa a questão tributária e expõe um ponto central da gestão pública: a coerência nas decisões e a capacidade de planejamento de longo prazo.

Mato Grosso precisa de crescimento econômico, mas também de justiça social. Desenvolvimento de verdade acontece quando riqueza e oportunidades chegam a todos, e não apenas aos que já têm força econômica e influência política.




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.