Câmara de Peixoto de Azevedo aprova contas de ex-gestor apesar de parecer desfavorável do TCE-MT
A votação, que contraria as recomendações técnicas do órgão de controle
Mesmo com inúmeras ressalvas apontadas por técnicos do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), a maioria dos vereadores de Peixoto de Azevedo aprovou as contas do ex-gestor Maurício Ferreira.
A votação, que contraria as recomendações técnicas do órgão de controle, levantou questionamentos entre a população local sobre os critérios utilizados pelos legisladores na análise da gestão de recursos públicos.
As irregularidades apontadas pelo TCE-MT
O parecer técnico do Tribunal apontou falhas graves na execução orçamentária do exercício de 2024, destacando:
Educação (FUNDEB): Não aplicação de recursos do FUNDEB no primeiro quadrimestre de 2024, totalizando um montante superior a R$ 500.000,00.
Previdência Municipal: Inadimplência no repasse de contribuições previdenciárias. Os descontos realizados na folha de pagamento dos servidores não foram devidamente recolhidos ao instituto de previdência, o Previpaz.
Curriculo Escolar: Discrepância detectada entre o currículo escolar praticado e a grade de ensino exigida.
Como votaram os vereadores
A sessão foi marcada por um placar que permitiu a aprovação das contas, apesar das inconsistências apontadas:
Favoráveis à aprovação (7 votos): Presidente Tawe, Joranir, Washington, Daniel da Gráfica, Evandro da APAE, Dr. Siqueira e Rosangela Lima.
Pela reprovação (4 votos): Professora Margareth, Odair da Farmácia, Eliege e Ismael.
Abstenções (2 votos): Mesmo presentes na sessão, os vereadores Gleison Noneto e Cléssio preferiram não manifestar voto.
O papel fundamental da fiscalização parlamentar:
A aprovação de contas públicas por uma Câmara Municipal não é um ato meramente político ou burocrático; é a última instância de controle exercida pelo Legislativo sobre o Executivo. Cabe aos vereadores, enquanto representantes da sociedade, analisar com rigor técnico se cada centavo do contribuinte foi aplicado conforme a legislação vigente.
Quando o Tribunal de Contas aponta irregularidades — como a não aplicação de verbas da educação e o não recolhimento de contribuições previdenciárias dos servidores —, o parecer atua como um alerta de que o interesse público foi negligenciado. Ignorar tais ressalvas desvaloriza o trabalho do próprio Tribunal e enfraquece o sistema de pesos e contrapesos do Estado. A função fiscalizadora do vereador existe justamente para garantir que o gestor seja responsabilizado por falhas na administração, evitando que irregularidades se tornem práticas recorrentes e impunes no município.
O questionamento da população
A decisão gerou imediata repercussão na cidade. Uma grande parcela da população questiona quais seriam os critérios — para além das normas técnicas e do zelo com o patrimônio público — que levam um parlamentar a votar favoravelmente à aprovação de contas que apresentam um parecer técnico carregado de irregularidades.
A aprovação de contas com ressalvas dessa natureza coloca em pauta a importância da fiscalização exercida pelo Poder Legislativo e o papel de cada vereador na salvaguarda dos recursos que pertencem ao município.





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