Quatro dias antes de operação da PF, advogado revelou câncer
Estou apenas abrindo o meu coração, tentando conversar com um pouco
Alvo da Operação Gemini, deflagrada pela Polícia Federal, o
advogado Bruno Oliveira Castro revelou estar com leucemia,
que é um câncer que afeta o sangue e a medula óssea, na
semana passada. Ele é suspeito de fazer parte de um um
esquema de compra de sentenças envolvendo o
desembargador afastado do Tribunal de Justiça de Mato
Grosso, Dirceu dos Santos.
Bruno Castro nega as acusações.
Ele emitiu uma nota
garantindo atuar com retidão profissional.
A batida da PF ocorreu na manhã desta segunda-feira (08). Conforme a PF, as investigações tiveram início a partir
de dados telemáticos extraídos de aparelhos celulares, relatórios de inteligência financeira e compartilhamento de
informações com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Castro revelou o tratamento nas redes sociais na última quinta-feira, 4 de maio, e está internado num hospital
particular em São Paulo (SP). “Eu fui, infelizmente, diagnosticado com leucemia. Já iniciei o tratamento e estou
cuidando e confesso para vocês que é muito difícil trazer qualquer palavra sem a gente se emocionar num vídeo
esse, onde a gente vai se expor publicamente.
Tem pessoas que têm facilidade com isso, tem outras que não. Eu
não estou me vitimizando. Estou apenas abrindo o meu coração, tentando conversar com um pouco, até porque se
eu ficar 30 dias trancado aqui num tratamento em isolamento, eu acho que eu vou pirar”, desabafou.
Por estar em São Paulo, a PF não conseguiu localizá-lo em sua residência. “Sabe quando você tá cheio de
problema na tua vida e você vai tentando resolver um problema, resolver outro, e de repente você é nocauteado
por um problema maior? Então foi isso que aconteceu comigo. Eu recebi um diagnóstico, fui internado às pressas,
na UTI, em Cuiabá.
Eu venho para São Paulo e sou diagnosticado com leucemia. A princípio, um tipo de leucemia
que tem um excelente prognóstico, mas que tem toda jornada, todo enfrentamento de toda leucemia. Dos primeiros
meses do tratamento e por aí vai”, desabafou.
um olhar diferente, a gente passa a ter um olhar não só racional, mas um olhar humano. Como eu pude perceber
que as pequenas coisas são pequenas coisas e que hoje a minha saúde tem que prevalecer, porque se eu não
tiver condições de sair de onde eu estou, não tenho condições de resolver nada do que eu tenho para resolver”.
Ao todo, seis mandados de busca e apreensão foram cumpridos. Os investigados poderão responder, na medida
de suas participações, pelos crimes de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro. O valor
do esquema teria movimentado R$ 3,2 milhões, conforme apurado. Bruno Castro ainda não se manifestou sobre a
operação.
NOTA PÚBLICA
Diante da Operação “Gemini”, deflagrada nesta data, e das notícias que associaram indevidamente meu nome à
investigação em curso, venho a público, com serenidade e firmeza, negar de forma categórica a prática de
qualquer ato ilícito no exercício da advocacia.
A propósito, é importante mencionar que, muito antes de qualquer medida judicial, coloquei-me espontaneamente à
disposição das autoridades para prestar esclarecimentos, inclusive perante o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e
a Procuradoria-Geral da República, no interesse da investigação e da verdade.
No que se refere aos contatos a mim atribuídos, faz-se necessário esclarecer que estão descontextualizados e não
correspondem à realidade dos fatos.
Jamais solicitei, intermediei ou realizei qualquer tratativa ilícita.
Por conseguinte, confio que a apuração, conduzida com imparcialidade, demonstrará exatamente isso, uma vez
que sempre exerci a advocacia dentro dos limites da lei, da ética profissional e das prerrogativas da função.
Registro, por fim, minha confiança na Justiça e nas instituições, bem como meu integral respeito ao devido
processo legal e à presunção de inocência, certo de que a verdade prevalecerá.
Cuiabá/MT, 08 de junho de 2026.
BRUNO OLIVEIRA CASTRO - OAB/MT 9.237






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